Como acredito que as mais interessantes viagens são as que fazemos ao nosso interior, muitas vezes ajudados por viagens externas é certo, acredito também que da experiência de mergulhar num lugar novo a parte mais deliciosa é o esforço da compreensão da diferença, desde os detalhes às evidências.
Chagada ao Porto há poucos meses, é com agradável surpresa que conheço este povo. A já vossa conhecida gente do norte!
Correndo todos os perigos das generalizações posso dizer-vos que é um povo mais humano, mais caloroso, as pessoas ainda são pessoas e cuidam umas das outras.
Por outro lado é um povo mais directo, se têm alguma coisa a dizer dizem logo, e às vezes são um bocado brutildos a falar uns com os outros! Como quem diz, a delicadeza ou os paninhos quentes não são o forte deles. Não são raras as vezes em que dou com 2 velhinhas na peixarada porque uma estava à frente e a outra passou e eu sei lá mais o quê...
Quanto mais se entra nos bairros e nas tascas, mais asneiras se ouve. Dizem-se ao ritmo que se come tremoços e se bebe uma mini enquanto o FCP joga. São só mais umas palavras, algumas já são mesmo muletas de discurso de muito boa gente.
O ritmo da cidade ainda é pacato. Das coisas que mais me faz sorrir, é entrar nas escadas rolantes do metro em hora de ponta, ter alguém parado na fila da esquerda, simplesmente porque está na conversa com o colega. Todos param de andar daí pra trás, nunca vi ninguém a pedir licença. A mim delicia-me...
É um povo mais tradicionalista do que as gentes alfacinhas. Gostam das coisas ao jeito deles e a diferença nem sempre é bem vista ou vinda! Quando falo de diferenças, vou das étnicas às ideológicas, do clube de futebol a alguém que se veste diferente ou fala diferente ou anda diferente. Aqui não se fala inglês, nem francês, nem Alemão, fala-se estrangeiro em qualquer um dos casos. A diferença fica sempre um passo à frente por mais que às vezes isso tente ser camuflado.
É gente genuína e boa, ainda que às vezes perca um pouco por se fechar no seu mundo. Eu que sou Moura carago, agradeço o que deles recebo e dou o que de fora trago, quando quer ser recebido.